Angioplastia com Stent e Doença Aterosclerótica

Devido ao acúmulo de placas gordura, (formadas basicamente por colesterol e cálcio), as artérias, vasos que levam o sangue oxigenado do coração aos órgãos e tecidos, podem sofrer diversos graus de entupimento, do parcial até mesmo ao total. Nesses casos, o fluxo de sangue é mantido apenas por pequenas artérias, as chamadas colaterais, que em geral não são suficientes para irrigar o local afetado.

A aterosclerose é uma doença crônica, ou seja, que se desenvolve ao longo dos anos, progressiva, sistêmica, ou seja que atinge diversos locais diferentes como resultado de uma inflamação. Portanto, esse entupimento se deve principalmente ao acúmulo de colesterol e cálcio na parede arterial inflamada.

 

CAUSAS:

  • IDADE: A aterosclerose das pernas ocorre sem sintomas em taxas variáveis de 50 a 58%. Ocorrem sintomas em até 6% dos indivíduos acima de 70 anos.
  • DIABETES MELITO (DM): Induz à dislipidemia – elevação dos níveis de colesterol, em particular a elevação dos níveis de triglicérides.
  • HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS): Pode se associar a alterações da parede do vaso, causando distúrbios metabólicos nas camadas das artérias e espessamento delas, causando uma falha no controle de transporte de substâncias que vem do sangue.
  • TABAGISMO: O ato de fumar causa deficiência na oxigenação dos órgãos e tecidos. A afinidade do monóxido de carbono (CO) pela hemoglobina é elevadíssima, 250 vezes superior a afinidade ao oxigênio, ocorrendo a formação da carboxiemoglobina (CO-Hb) de com isso, problemas de circulação.

 

SINTOMAS:

Vai depender do local afetado:

Nas artérias carótidas do pescoço causam o ataque isquêmico transitório (AIT) e o acidente vascular cerebral (AVC)

Nas artérias coronárias do coração causam a angina de peito e o infarto agudo do miocárdio (IAM).

Nas artérias renais causam perda da função renal, levando a falência e perda renal com necessidade de hemodiálise.

Nas pernas, o principal sintoma dessa doença é chamado de claudicação intermitente: após caminhar, ocorre dor na panturrilha, necessitando de alguns minutos de “descanso” da perna para continuar a caminhada. Este “cansaço”, que na verdade se deve à falta de sangue na perna, se repete em distâncias constantes, ou seja, a cada 100 metros, 300 metros ou mesmo 1 km de caminhada, sendo necessário “descansar” a perna. Com o agravamento da doença, a distância fica cada vez menor.

 

DIAGNÓSTICO:

Inicialmente, em consulta médica se colhem informações sobre os fatores de risco e através do exame físico, é realizada a palpação dos pulsos arteriais. O médico deve identificar a clássica claudicação intermitente. Em geral, com exceção das artérias coronárias, um exame de ultra – som doppler arterial pode fechar o diagnóstico de oclusão das artérias afetadas, devendo haver confirmação do grau de entupimento através da angiotomografia ou angiorressonância magnética.

 

TRATAMENTO:

O tratamento desta doença é realizado através do tratamento clínico, quando a terapia pode ser feita com medicações e exercício físico orientado, e/ou, caso necessário, através da cirurgia.

O tratamento cirúrgico, quando indicado varia conforme o território acometido. No caso do entupimento das artérias das pernas, pode ser realizado com uma ponte com veia safena, através de um corte na perna para desviar o fluxo de sangue ao redor da obstrução.

 

TRATAMENTO ENDOVASCULAR:

Nos últimos anos, a cirurgia endovascular, permitiu que este tratamento seja realizado através da técnica minimamente invasiva. Nesta técnica, chamada de ANGIOPLASTIA e preferencial da nossa equipe, através de uma simples punção na virilha, delicados catéteres e stents (malhas de metal) são utilizados para reabrir a artéria doente e restaurar o fluxo de sangue, o que em geral, a depender do local, trata completamente os sintomas e evita complicações graves, como o AVC, o IAM, a perda renal e a amputação de perna causada pela falta de sangue ao local afetado.
Cada caso deve ser avaliado e individualizado.

ATP-1-ATP-2-